Transformações audiovisuais demandam preparo multidisciplinar, ressaltam profissionais do setor

 

Profissionais e pesquisadores de mídia, professores e estudantes discutiram, na terça e quinta-feira passadas, os rumos e desafios das produções audiovisuais imersas em transformações digitais. Promovida pelo Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio, a tradicional Semana do Audiovisual reuniu uma série de palestras e debates que convergiram para o peso crescente da multidisciplinaridade no setor.

A palestra de abertura – “As Ilusões da Comunicação”, dia 29 de outubro, no auditório K102 – reuniu a diretora do GNT Daniela Mignani e a responsável pela gestão e estratégia de marca do canal, Iara Poppe.Elas Elas apresentaram uma pesquisa que entrelaça comunicação e filosofia. Um prelúdio da tônica multidisciplinar que prevaleceria nos encontros da Semana.

Em seguida, o fundador da Escola de Rádio, Ruy Jobim, conversou com os alunos sobre os desafios profissionais decorrentes das novas formas de produzir e consumir áudio e vídeo. Mudanças que impõem, além do domínio de novas ferramentas de edição, novos modelos de negócios, novos métodos e rotinas de produção, novos planejamentos de conteúdos audiovisuais.

O caso da agência Vintepoucos fechou o primeiro dia de palestra. Como indica o nome, a empresa foi fundada por quatro jovens, ex-alunos de Comunicação Social da PUC-Rio: Giulia da Graca Pinto, Gabriel Meinberg Silva,
Andre Ronaldo Rodrigues Helal e Victor Freire Quintaes. Eles contaram (Andre e Victor por Skype) por que e como trocaram a comodidade de estágios pela ousadia de empreender numa área remodelada pelas tecnologias digitais – desde as discussões em torno do posicionamento da agência audiovisual no mercado até as estratégias para captar clientes.

O segundo dia de palestras foi aberto por uma bola da vez na área da comunicação. Isabella Saes e Cora Rónai compartilharam com os estudantes como os trilhos profissionais e pessoais das jornalistas confluíram para o lançamento do podcast  Aquelasduas. Elas explicaram a rotina de trabalho, a escolha das pautas e a produção do roteiro do programa semanal. Ressaltaram, em especial, os recursos tecnológicos que permitem a operação remota: a produtora mora no Paraguai e o editor de áudio, em São Paulo.

A série Transgente, do Globosat.play,  foi o tema da mesa seguinte. Depois de exibidoo primeiro episódio, a diretora Malu de Martino e a roteirista Christiana Albuquerque esclareceram o processo de criação de um roteiro de não-ficção. Elas também debateram as habilidades necessárias para lidar com assuntos sensíveis e para ajustar o roteiro a mudanças de cenário.

Já na palestra que encerrou a Semana do Audiovisual, Bernardo Ferreira e Alessandra Ferreira, gestores de conteúdo do Globoesporte.com, destacaram a conjugação de competências para exercer uma curadoria dinâmica moldada a parâmetros digitais. Eles detalharam e discutiram os critérios para escolha estratégica dos conteúdos distribuídos nas redes sociais. Uma seleção cada vez mais influenciada pelo mapeamento dos padrões de consumo audiovisual feito com a ajuda da ciência de dados. e algoritmos.  que eles mais utilizam e que conteúdos são mais adequados para cada uma, de acordo com a faixa etária que a consome. Bernardo e Alessandra também debateram o horizonte multimídia da transmissão ao vivo de jogos de futebol.

Os debates e palestras da Semana do Audiovisual estão disponíveis, convém reiterar, na seção Videoteca.

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