O fundador da piauí, João Moreira Salles, contou para os alunos como criou, há 18 anos, a publicação que se tornou referência na imprensa. Na primeira parte da conversa, João lembrou do encontro que teve com os jornalistas Marcos Sá Corrêa, Dorrit Harazim e Elio Gaspari, nos Estados Unidos, todos saudosos da Senhor e Realidade, que tinham sido fechadas anos antes. A partir daí, começou a ser desenhada a revista que não teria editorias fixas, como nos grandes jornais. Assim, ele acabaria com o “orfanato” e poderia atender o público que gostava de ler e discutir as principais questões do país, com altas doses de humor e ironia.

O professor Arthur Dapieve (esq.), João Moreira Salles, fundador da piauí, e o editor-executivo, Daniel Bergamasco.

O professor Arthur Dapieve (esq.), João Moreira Salles, fundador da piauí, e o editor-executivo, Daniel Bergamasco. Crédito: Enzo Kreiger

Na segunda parte do encontro, foi organizada uma oficina de checagem com Marcella Ramos, Gilberto Porcidônio, João Felipe Carvalho e a produtora-executiva Raquel Zangrandi. Experientes ou não, os textos de todos os autores da revista passam pelo pente fino dos checadores e, no final, o resultado se torna mais confiável e verossímel. Existe, é claro, aqueles que não gostam de ser corrigidos, mas a equipe está do lado dos jornalistas e não contra eles. O próprio Moreira Salles afirma que é um alívio ter por perto uma equipe tão antenada, ele mesmo não se importa em ser corrigido. Na terceira parte do Seminário, os repórteres Yasmin Santos, Thallys Braga e Camille Lichotti ensinaram como escrever uma “esquina”, uma das marcas registradas da Piauí.

André Petry (à esq.), Yasmin Santos, Thallys Braga, João Felipe Carvalho, Raquel Zangrandi, Gilberto Porcidônio

André Petry (à esq.), Yasmin Santos, Thallys Braga, João Felipe Carvalho, Raquel Zangrandi, Gilberto Porcidônio. Crédito: Enzo Kreiger

Moreira Salles acredita que o universitário é o público-alvo da publicação. Apesar de ter 60% de seu orçamento garantido a partir de um fundo patrimonial, a piauí precisa de assinaturas e publicidade. Mesmo tendo cortado o cordão umbilical da revista, o cineasta continua no conselho editorial, lê os textos, opina, sugere e acompanha os movimentos de sua cria que tem como mascote um pinguim de geladeira.